Uma história interessante sobre a evolução do PDV.

 Uma história interessante sobre a evolução do PDV.

(Extraído do livro As 50 melhores ideias de negócios dos últimos 50 anos/ Ian Wallis, organizador; tradução: Bruno Casotti – Rio de Janeiro: Best Business, 2013.)

 EPOS

O Terminal de Supermercado 3663 da IBM. Cortesia de IBM Corporate Archives

IBM

Quando: 1973

Onde: Estados Unidos

Por que umas das 50 maiores invenções dos últimos 50 anos: Transformou o controle de estoque e o processo de análise de vendas para os varejistas, permitindo um crescimento substancial.

Como: A máquina EPOS (sigla em inglês para sistema de ponto de venda eletrônico) da IBM precipitou uma revolução no serviço aos clientes.

Fato: A renda bruta da IBM passou de 10 bilhões de dólares no ano de lançamento das primeiras máquinas de EPOS.

Hoje em dia, quando se está num supermercado movimentado, numa boutique de moda ou numa lanchonete, é difícil imaginar como as empresas agiam antes da introdução da tecnologia do ponto de venda eletrônico.

Certamente, a velocidade e a facilidade do serviço ao cliente eram impossíveis.

O precursor de toda a tecnologia EPOS usada hoje em lojas e indústrias de serviços foi o IBM Store System, lançado no início dos anos 1970.

A influência da IBM sobre o EPOS continua até hoje, mas a indústria é bem mais competitiva do que quando o Store System foi lançado.

Obstáculos para entrar no mercado foram removidos quando inovações no EPOS trocaram o hardware para o software que funciona hoje.

Hospedadas em servidores remotos com backup de dados em tempo real, centenas de opções de software de EPOS estão disponíveis a preços acessíveis até mesmo para proprietários de pequenas empresas.

Nos anos 1970, os revolucionários Store Systems da IBM tinham preços para o segmento mais alto do mercado, sendo acessíveis apenas a empresas maiores e mais lucrativas.

Os antecedentes:

Antes do lançamento dos primeiros sistemas EPOS, o varejo exigia muitas tarefas manuais – como checagem de estoque e registro de cada item que um cliente queria comprar na caixa registradora, à mão.

Não apenas isso consumia tempo e era complexo para administrar, como as falhas humanas aumentavam substancialmente a probabilidade de erros.

A falta de uma correlação em tempo real entre vendas e estoque significava que os varejistas muitas vezes ficavam sem certos produtos quando estes se tornavam populares.

Era difícil identificar tendências de negócios em qualquer período específico, que dirá fazer avaliações. E era quase impossível prestar contas sobre estoques desfalcados, o que dificultava a identificação de furtos por empregados ou clientes.

No mesmo ano em que a IBM apresentou seus Store Systems, o primeiro leitor de código de barras estava sendo desenvolvido.

Os Store Systems 3650 e 3660 da IBM, lançados em 1973, precipitaram uma nova era nos serviços ao cliente e no varejo.

Na época, a IBM era a principal força em pesquisa de novas tecnologias para automatizar processos de negócios – vários ganhadores do Prêmio Nobel estavam associados a trabalhos de pesquisa na empresa – e os Store Systems da IBM surgiram dessas pesquisas.

Tinham como base um computador mainframe central que se comunicava com uma série de “terminais burros” – computadores sem qualquer capacidade de processamento, usados como caixas registradoras.

Essa tecnologia sem dúvida era primitiva, comparada à funcionalidade oferecida hoje pelos sistemas EPOS; porém, ainda assim representou um enorme avanço para proprietários de empresas de varejo.

Empresas rivais como a Regitel, a TRW, a Datachecker e a NCR competiam com a IBM por uma participação no mercado nos anos 1970, mas na verdade apenas essas poucas empresas grandes e bem estabelecidas tinham condições de promover avanços na capacidade do EPOS. Porém, outros desenvolvimentos tecnológicos alteraram as possibilidades e expectativas do EPOS.

No McDonald’s, por exemplo, o uso de um tipo primitivo de microchip nas caixas registradoras permitia aos funcionários atender a mais de um cliente ao mesmo tempo.

E avanços nas máquinas de cartão de crédito significaram que facilidades no processamento de cartões de crédito foram aos poucos incorporadas às tecnologias EPOS.

Em 1986, um proprietário de delicatessen chamado Gene Mosher fez um avanço crucial ao criar o primeiro dispositivo de EPOS com tela sensível ao toque; isso desencadeou uma onda de inovações, e centenas de pequenas empresas começaram a criar suas próprias versões de EPOS, feitas sob medida para tipos específicos de varejo.

A IBM lançou uma versão atualizada de seu Store System, na tentativa de acompanhar os independentes espertos. E depois a Microsoft se envolveu, criando o IT Retail – o primeiro software de ponto de venda compatível com o Windows.

O novo sistema, lançado em 1992, foi, discutivelmente, um passo tão significativo quanto o dispositivo sensível a toque na tela produzido por Gene Mosher.

Graças ao IT Retail, um PC com sistema operacional da Microsoft podia agora ser usado como dispositivo de EPOS; depois de começar como uma tecnologia baseada em hardware, o EPOS estava sendo lançado agora em forma de software. Isso significava que muito mais varejistas podiam ter acesso à tecnologia – é muito mais simples baixar e instalar um pacote de software do que comprar e montar uma grande máquina.

No fim dos anos 1990, uma campanha de padronização na indústria completou a transformação do EPOS, que deixou de ser uma raridade cara e bastante inacessível para se tornar uma ferramenta básica das empresas.

Impacto comercial:

A adoção do EPOS foi encabeçada pelos supermercados, que precisavam de uma tecnologia capaz de administrar muitas lojas, direcionar estoques a partir de vários depósitos e proporcionar uma experiência rápida e fácil ao cliente.

No fim dos anos 1990, 89% das vendas no varejo da indústria de alimentos no Reino Unido eram feitas em lojas com tecnologia EPOS.

Na indústria da música, esse percentual era de 80%; na indústria de venda de livros, 70%; e na indústria de revistas, 46%.

A implementação do EPOS trouxe muitos benefícios. Uma pesquisa encomendada pelo Instituto de Distribuição de Alimentos, na Grã-Bretanha, no fim dos anos 1990, perguntando a diretores financeiros da indústria sobre o impacto da tecnologia EPOS, apontou que 100% das empresas haviam visto benefícios de redução de custo.

Quase 75% haviam verificado uma eficiência maior no trabalho; 63% haviam se beneficiado de melhorias na disponibilidade de produtos e 55% haviam aprimorado sua segurança graças aos sistemas de pontos de venda.

Porém, o grau de benefício propiciado pelo EPOS varia consideravelmente de indústria para indústria.

Conforme observado num relatório divulgado pela Retail Banking Research em agosto de 2011, as grandes redes adotaram o EPOS com muito mais entusiasmo do que as lojas independentes.

Assim, o setor de varejo, dominado por redes, ganhou consideravelmente com o EPOS; na indústria hoteleira, que continua extremamente fragmentada, a adoção tem sido bem menor, com muitas empresas ainda se valendo mais de equipamentos básicos, como caixas registradoras.

Brigas entre os fabricantes de EPOS têm sido uma frequência nos últimos anos – na verdade, as vendas globais caíram de 1,62 milhão de terminais em 2007 para 1,24 milhão em 2010, antes de se recuperarem e alcançarem 1,38 milhão no ano seguinte.

Depois de ser posta à prova pela Microsoft e por algumas hábeis empresas independentes nos anos 1980 e 1990, a IBM parece ter recuperado sua força e atualmente é líder mundial no mercado de EPOS, respondendo por aproximadamente 22% das vendas globais.

A Ásia é o maior mercado, com um crescimento impulsionado pela maior demanda da próspera economia chinesa.

O que aconteceu em seguida?

Hoje os sistemas EPOS se encaixam em duas categorias: Modular e Integrado.

No segundo, como o nome sugere, o visor e o computador são integrados, enquanto num Sistema Modular o computador está ligado a dispositivos periféricos, como escaneadores, impressoras e visor.

A verdadeira diversificação no mercado de EPOS hoje não é em hardware, e sim o software usado nos sistemas.

Existem centenas de fornecedores de softwares atuando hoje, muito longe da hegemonia sobre o mercado exercida pela gigantesca IBM, como acontecia nos anos 1970.

Muitas grandes empresas utilizam hoje seus EPOS por meio de um modelo cliente servidor, no qual há um servidor de banco de dados exclusivo com o qual todas as outras estações falam para acessar e armazenar dados.

O grande crescimento do uso de internet e da banda larga na década passada tornou esse tipo de armazenamento de dados comercialmente viável, mesmo para SMEs.

A internet, e particularmente o varejo on-line, também mudou as expectativas em relação ao que é oferecido pelo software EPOS.

Hoje, espera-se que o software integre o site de uma empresa, monitorando o que foi vendido on-line e ajustando os pedidos de estoque de acordo com isso, reduzindo assim o conteúdo do estoque e liberando o fluxo de caixa, algo de importância fundamental para as empresas atualmente.

O software EPOS monitorará não apenas vendas, mas também o desempenho dos funcionários.

Mais importante, talvez, o software pode ser feito sob medida para se ajustar às necessidades específicas de uma empresa.

Esta é a principal mudança, comparada aos Store Systems da IBM nos anos 1970. Empresas que investem hoje em softwares EPOS estão investindo numa relação de negócios, e não num hardware específico.

As máquinas ainda precisam executar um software, e computadores centrais são cada vez mais importantes em centros de dados para assegurar um backup em tempo real.

Mas aqueles que desenvolvem e administram os softwares é que são a espinha dorsal da indústria de EPOS hoje.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *